04/10/2017

Resenha: "Pecadora", de Nana Pauvolih


Por ser filha de um pastor, a doce jovem Isabel, 17 anos, sempre foi criada de forma bem rígida por Cândida e Sebastião, seus pais evangélicos. A Religião vinha acima de todas as vontades, de tudo o que quisesse fazer. Foi essa criação rígida que fez Rebeca, 18, se rebelar. Ela sempre quis ser livre, dona do próprio corpo, e não seguia as regras da família. Sempre foi conhecida como a 'suja', tanto em casa como também na vizinhança. Logo, acabou sendo expulsa de casa pelos pais. E o pior: ela estava grávida. Sebastião não teve piedade. 


Mesmo tendo Ruth, sua outra irmã - que ela não tinha tanta afinidade -, Isabel sofreu muito com saudades de Rebeca. Mas continuou indo para a igreja e seguindo fielmente as leis de Deus. Ainda era a esperança da família, pois Ruth já era casada.

5 anos depois, Isabel, 22, já é uma dona de casa e está bem casada com Isaque, 23, um rapaz evangélico que ela conheceu na igreja de seu pai. Praticamente foi forçada a casar com ele pois seus pais tinham medo de que ela se 'perdesse na vida'. 

Isabel estudava Administração numa faculdade, mas precisou trancar por problemas financeiros. O que Isaque ganha no trabalho ainda é pouco para a alimentação e pagar as contas, mas Isabel se vira como pode para ajudar também. A vida dela se resume em ir para  a igreja, ser dona de casa e submissa ao marido. Eles realmente levam uma vida de casal bem monótona. 


Ela vive um casamento sem amor, sem carinho, sem momentos alegres... sem prazer, pois o sexo entre eles era apenas para dar prazer a Isaque e caso ela soltasse um simples gemido, já era olhada por ele com repúdio. Estava ali simplesmente para 'servi-lo'. Como ela nunca se sentia satisfeita por não ser livre nem no sexo, Isabel acaba assistindo filmes pornográficos escondida e se masturbava sozinha - algo que ela fazia desde os 12 anos e se sentia uma pecadora por isso. Vivia com pensamentos impuros, recriminados PELAS PESSOAS da sua religião. Rezava muito para Deus tirar esses impulsos e pensamentos dela, mas no final não aguentava. 

"- Vaidade é um dos sete pecados capitais, dona Leopoldina.
 - Besteira! - Ela fez um gesto irritado com a mão. - Pecado é não se sentir bem, não ser feliz e não aproveitar a vida!"

Isaque trabalha e se diverte jogando futebol com amigos. Foi assim que ele conhece o publicitário Enrico, 30, conhecido como 'Monstro' entre os amigos de partidas. O rapaz é bem-apessoado e muito mulherengo. Atrai o olhar das mulheres por onde passa. 


Isabel não o conhecia pessoalmente, mas Isaque sempre falava dele em casa. Contava sobre o jeito de ser e sobre as aventuras sexuais dele - onde as mulheres eram tratadas apenas como objeto sexual -, o que acabou fazendo Isabel ficar enojada. No fundo, excitada. 

"Enrico Villa parecia personificar toda a perversão que eu queria evitar. Pelo que Isaque contava, ele fazia sem culpa tudo o que eu mais temia."

Por Enrico ser dono de uma agência de publicidade, Isaque acabou conseguindo uma oportunidade de trabalho para Isabel. Ela não gostou nada da ideia, se recusou, mas após muita insistência de Isaque, ela cedeu. 

Essa convivência com Enrico, mesmo que em salas diferentes e somente mantendo contato através de olhares, não vai cooperar muito com a atração intensa que Isabel acaba desenvolvendo ainda mais por ele e, consequentemente, o desejo dele por ela. Surgia ali uma paixão? Possivelmente! No entanto, existe algo que impede de Isabel ir além: o seu casamento com Isaque. Ser adúltera seria um dos seus piores pecados. Mas a batalha interna e externa será grande!

"Enrico era minha salvação e meu tormento, minha contradição e meu alento. Minha fé e minha perdição. Minha loucura e minha razão. E eu não podia conter nada daquilo."

Para conhecer mais Enrico, Isabel acaba procurando um jeito diferente de conhecê-lo: utiliza o WhatsApp para enviar mensagens para ele se passando por uma mulher sem pudores, livre. Eles alimentam o bate-papo compartilhando os sentimentos mais íntimos e sendo livre para excitar e se excitar. 

Enquanto isso, as estruturas do casamento de Isabel e Isaque é abalada aos poucos em que ela vai se dando conta de como conduzem sua vida, já que ela é submissa não só ao marido e a religião, mas também aos pais e a todos que incriminam Isabel por simplesmente querer ser ela mesma. Ser aquela que ela nunca foi.

Qual será o resultado de toda essa pressão?
Até onde será que vai essa relação de funcionária e patrão? 
Será que a atração e o prazer serão mais fortes que os princípios religiosos de Isabel? 
E será que Enrico vai se deixar levar pelos sentimentos que sente por ela?
Só a 'Pecadora' e o 'Santinho' irão dizer! 

"Isabel causava um terremoto dentro de mim. E só ela podia acalmá-lo." 

Já eu só tenho a dizer: "que livro é esse?!" Eu confesso sem dúvidas que esse foi um dos melhores livros que eu já li. Sério!

Com a história ambientada no Rio de Janeiro, a autora Nana Pauvolih conseguiu escrever uma obra carregada de drama, com diálogos intensos e, em outros momentos, bem excitantes. Abordou o poder do fanatismo religioso e o empoderamento da mulher com muita maestria. Mas ela não crítica a religião. Nana apenas trata a realidade de muitas pessoas, assim, tentando fazer com que o leitor reflita que independentemente da religião, roupa, sexo, raça ou da visão de mundo, todos devem ser respeitados e ser livres das amarras da sociedade. 

Ela principalmente foca em retratar a liberdade feminina. Através da personagem Isabel, Nana Pauvolih fala sobre os direitos da mulher de ser que ela realmente é e não o que a sociedade conservadora quer ver: uma mulher linda, esposa, mãe, recatada, dona de casa... A santa! E se não for, ela é 'crucificada'. A mulher é muito oprimida e sofre por ser tão mal julgada pelo povo. É cobrada por tudo. E graças a personagem Isabel quem estiver lendo irá perceber um pouco do que a mulher passa na vida real. 

Além da protagonista, a autora traz outros personagens que são bem explorados e dão um choque grande com a realidade de Isabel, como, por exemplo, Enrico e Rebeca. Ambos mente aberta que preferem seguir seus instintos do que ser submissos aos que a sociedade, independente da crença, impõe como certo. Enrico ainda traz consigo traumas e uma perda irreparável. Algo que ficou marcado nele de forma interna e externa. 


Enfim, "Pecadora" é um livro com uma história forte e cheia de erotismo. Recomendo fortemente a leitura tanto para mulheres como também para homens de mente aberta. Se não for e tiver o interesse em conhecer a história, recomendo ainda mais. É uma obra que traz lições importantíssimas e bem atuais. Alerto que existe cenas bem picantes mesmo, mas o foco total da autora acho que nem foi somente a parte erótica, mas unir erotismo com outros assuntos tão constantes na atual sociedade.

A história é muito fluida, cativante, cheia de romance, excitante e emocionante. Eu simplesmente devorei o livro. A escrita da autora é ótima e em nenhum momento a leitura ficou chata. Tudo na história é bem interessante. A leitura é conduzida através dos olhares de Isabel e Enrico, o que contribui muito para sabermos o que se passa na mente de cada um. E digo: vocês irão se surpreender com as vivências deles. 

Olha, eu converso demais, né? Se deixar eu dou vários spoiller simplesmente porque adorei a história. Espero que você também leia e compartilhe comigo o que vocês acharam, okay? A eu gostaria muito de ver a história ganhar vida e ir para as telonas. Acho que daria um filme lindo e intenso. 


Alias, eu perguntei a escritora quais pessoas poderiam interpretar Isabel, Enrico e Isaque nos cinemas, caso o livro seja adaptado. E adivinha: ela disse que Stuart Reardon poderia ser o Enrico e Fahriye Evcen a Isabel. Bem legal, hein? Vamos torcer para as páginas 'ganharem vida'.

Mas aproveitando o momento, ouça "Maybe", canção da cantora norte-americana Janis Joplin. Essa música faz parte da trilha sonora de "Pecadora". Dá o play:




"As pessoas se preocupam tanto com os dogmas que não notam que o tempo passa enquanto discutem."

Obra: Pecadora
Autora: Nana Pauvolih
Editora: Planeta de Livros Brasil
Publicado:  2017
Páginas:  384
Compre: Amazon - físico ou e-book
Adicione: Skoob
★★★★★ Perfeito!
Livro cedido pela autora.



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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Oi, Nana! =D

      Nossa, eu que agradeço por ter lido uma obra tão linda como essa. Parabéns mesmo. Continue sendo essa escritora incrível que tu és.

      Bjoo.

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