05/02/2018

Resenha: "Black Hole", de Charles Burns

Resenha por: Pedro Gabriel
Obra: Black Hole
Autor: Charles Burns
Editora: Darkside Books
Gênero: HQ/Horror/Ficção
Páginas: 368
Ano: 2017
Onde Comprar: Amazon - Físico (Capa dura)
Adicione: Skoob
Nota: ★★★★☆ Muito bom!
Livro cedido pela editora.
SINOPSE: "Black Hole se passa nos arredores de Seattle, extremo noroeste dos Estados Unidos, em meados da década de 1970, quando uma praga inominável e traiçoeira se alastra entre os adolescentes locais através do contato sexual e parece não poupar ninguém. Ela se manifesta de maneira diferente em cada um dos infectados — enquanto alguns apresentam apenas manchas na pele, algo sutil e fácil de ocultar, outros se transformam em grotescas aberrações, vagas lembranças do que foram um dia. E uma vez que você foi contaminado, não há mais volta. Para esses seres monstruosos, não há alternativa além do auto-exílio em acampamentos precários, na floresta que circunda a região. Conforme vamos nos familiarizando com os diversos protagonistas da história — garotas e garotos que foram infectados, outros que não foram e aqueles que estão prestes a ser —, o clima de delírio, horror e insanidade toma conta dos adolescentes. Black Hole apresenta um retrato inquietante e soberbo da alienação dos tempos colegiais, repleto de crueldade e selvageria e hormônios à flor da pele, que dialogam com o tédio, a angústia e as necessidades mais profundas de nossa própria aceitação que dominam essa época da vida. Aterrador e hipnótico, a graphic novel que consagrou Charles Burns transcende seu gênero ao explorar com habilidade um momento cultural específico americano, quando não era mais bacana ser hippie, e David Bowie ainda era um pouco estranho para esses jovens, a liberdade sexual começava a se transformar em um pesadelo e a vida adulta cobrava o seu preço pelos traumas reais da infância, traumas da perda e da sensação de absurdo existencial. Isso sem falar de chifres brotando, rabos aparecendo, fendas se abrindo e alterando sua epiderme para sempre."


Seattle. Década de 70.

As vidas de muitos moradores da cidade estão ameaçadas por uma doença bastante misteriosa que está sendo transmitida entre vários adolescentes através da relação sexual. 


Quando a pessoa é infectada, o corpo dela sofre mutações bem estranhas que variam de pessoa pra pessoa. Umas desenvolvem calda, chifre, bolhas, etc., outras até possuem aparência de zumbis. 

Ao longo dessas modificações, esses jovens 'bichados' acabam se isolando, vivendo à margem daqueles que estão com a saúde 'normal'. 

Suas feições, seu jeito de ser, muda e isso faz com que eles procurem esse isolamento, seja em guetos ou florestas - vivendo em cabanas úmidas e sujas. Viram completas aberrações, perante a sociedade. 


"Uma semana depois que transei com a Eliza, apareceram uns carocinhos escuros nas minhas costelas. Cresceram e começaram a ficar meio roxo-acinzentados. Pareciam caudas minúsculas... Tentei me livrar deles. Usei um negócio de passar em verrugas... Tentei até cortar fora, mas eles faziam parte de mim."

Enquanto a praga vai se espalhando, vamos acompanhando a rotina de vários jovens. Suas aventuras, descobertas sexuais, o contato com o submundo das drogas, e muito mais. Situações que muitos jovens de antigamente viveram e que ainda vivem. 


Em especial, conhecemos a história de um casal intensamente apaixonado que têm suas vidas modificadas por causa dessa epidemia e suas consequências. Rob e Chris. Ele, um infectado. Ela, uma vítima do amor que sente por Rob.


"Era tudo que eu queria... Estar num cemitério grande e escuro. Cercados por um milhão de cadáveres... Mas nós estávamos vivos... Muito vivos, e só isso importava."

Ligado à Chris, conhecemos Keith, um rapaz que gosta muito dela. Além do que o coração dela sente por ele. Keith vai descobrir os prazeres da vida da pior forma.


E é ao longo da história que Charles Burns vai explorando os dramas e romances dos personagens de "Black Hole".

Analisando o contexto da época em que a narrativa da obra se passava e que também foi produzida, essa foi uma HQ incrivelmente reflexiva e aterrorizante no que diz respeito ao objetivo do Charles Burns, que é, claramente, mostrar as graves consequências de se relacionar sexualmente sem preservativos.


Digo aterrorizante porque o leitor que sacar o objetivo, vai perceber o quanto é impactante a Aids na vida de uma pessoa. Tanto ela fica infectada, como também pode contagiar outras pessoas, quando não utiliza a camisinha. Sem falar que a vida social dela é totalmente afetada. Quando sabem da doença, pessoas podem se afastar. Julgar. Excluí-las.

E todo esse preconceito é abordado na HQ do Charles Burns. Mas, além da Aids, o autor aproveitou para explorar outros temas, como, por exemplos, o estupro, o suicídio e o uso de drogas feito por jovens. 


Com todos esses assuntos, Charles Burns acabou criando uma HQ com um conteúdo forte, não recomendável para menores de 18 anos. Contém cenas de nudez e sexo em alguns momentos da leitura. Mas nada que possa chocar tanto. 

Em suma, "Black Hole" foi uma experiência diferente, envolvente e reflexiva. Acho que comigo o autor também atingiu o objetivo. A HQ é a realidade camuflada. Não existe um protagonista. 

Nessa obra, o autor trata a Aids como a grande e devastadora protagonista. Ela, suas consequências e os preconceitos da sociedade - essa que se acha no direito de julgar e excluir àqueles que possuem a doença. 


Originalmente, a obra foi publicada no Brasil em dois volumes. Mas a Darkside Books conseguiu os direitos e publicou a obra em único volume, numa edição lindíssima, em capa dura. 

A capa e fundo são bonitos, a diagramação está muito bem organizada, as ilustrações são todas em preto e branco, os capítulos estão bem divididos e as páginas são bem resistentes. Uma edição padrão Darkside. Parabéns aos envolvidos na publicação da obra. 

Por fim, quero ressaltar que mesmo sendo do gênero horror, vale muito a pena a leitura de "Black Hole". A leitura é bem fluida, interessante e até posso dizer que necessária para muitos jovens. Sem falar na edição que está mega caprichada. Super recomendo!


A Aids no Brasil

Galera, o HIV - vírus da Aids - pode ser transmitido através da relação sexual – anal, oral ou vaginal – com penetração e sem o uso de camisinha. O preservativo é super necessário do começo ao fim do ato sexual. Indispensável!

Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/Aids, publicado em 2017, de 2007 até junho de 2017, foram notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) 194.217 casos de infecção pelo HIV no Brasil, sendo 96.439 (49,7%) na região Sudeste, 40.275 (20,7%) na região Sul, 30.297 (15,6%) na região Nordeste, 14.275 (7,4%) na região Norte e 12.931 (6,7%) na região Centro-Oeste.

No período de 2007 a 2017, no que se refere às faixas etárias, observou-se que a maioria dos casos de infecção pelo HIV encontra-se nas faixas de 20 a 34 anos, com percentual de 52,5% dos casos.

Vamos abrir o olho, galera. É clichê, mas "sexo sem camisinha não dá!". 

*Com informações do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais.


Por fim, deixo aqui uma música que foi citada no decorrer da leitura de "Black Hole". Ouça "Harvest Moon", do Neil Young:



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