06/06/2018

Resenha: "O sol na cabeça", de Geovani Martins

Resenha por: Pedro Gabriel 
Obra: O sol na cabeça 
Autor: Geovani Martins
Gênero: Contos/Ficção
Páginas: 122
Ano: 2018
Onde Comprar: Amazon - Físico ou E-book 
Adicione: Skoob
Nota: ★★★★☆ 
Livro cedido pela editora.
SINOPSE: O sol carioca esquenta a prosa destes treze contos que retratam a infância e a adolescência de moradores de favelas como jamais foram retratados. O prazer dos banhos de mar, as brincadeiras de rua, a adrenalina da pichação, as paqueras e o barato do baseado são modulados tanto pela violência da polícia e do tráfico quanto pela discriminação racial indisfarçável no olhar da classe média amedrontada. Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo.

🌞🌞🌞

"O sol na cabeça" é um choque com a realidade que está do outro lado. Ou que está próxima, mas que a maior parte da população julga e não tem um olhar humanizado a respeito. 


Nos 13 contos, o estreante escritor Geovani Martins narra as histórias de moradores, jovens ou não, das favelas e comunidades, e suas vivências pelo Rio de Janeiro. Momentos de alegria, de companheirismo, de tensão, de amor e crime. 


O autor utiliza uma linguagem bem próxima da realidade pra fazer o leitor mergulhar ainda mais no universo que são as periferias e, ao mesmo tempo, ele nos faz enxergar o quanto essas pessoas são marginalizadas. 

A desigualdade social é gritante e os contos vão expondo essa realidade de forma nua e crua, chegando a ser chocante e bastante reflexivo, pois é fácil estar de longe e julgar, difícil é estar vivendo na pele o drama dessas pessoas. 


Através dos personagens, o autor crítica as ações abusivas da polícia e como ela pode ser corrompida; fala do preconceito por causa da cor de pele ou por ser morador da favela; aborda a atuação das milicias; trata do vício e o tráfico de drogas; e ainda alfineta a imprensa e o sensacionalismo de muitos veículos de comunicação. 

"Crack é foda. O que traz de dinheiro, traz de problema pra quem trabalha na boca. Pro morador é ainda pior, porque aí é só perrengue, vergonha, preocupação. Uma coisa era certa: parar de vender, os traficantes não iam, já estavam acostumados demais com os lucros da pedra." - Conto: Estação Padre Miguel. 


Posso ter pensado errado, mas lendo algumas das estórias veio à mente a ideia de que alguns dos contos foram inspirados na realidade do autor. Experiências positivas e negativas que ele teve da infância até a fase adulta. 

Por ele negro, vindo de uma família pobre e por ter nascido em uma comunidade, creio que já passou por muitos dos relatos narrados através dos personagens, pois pessoas como Giovani Martins, por mais que sejam trabalhadoras, honestas, não são vistas com bons olhos por uma parcela da sociedade, principalmente pela polícia. 

Isso é reflexo do preconceito absurdo que as pessoas carregam dentro de si e quando não expõe isso pela boca, faz através de atos que dizem muito mais que palavras. 


Da obra, destaco o conto "Rolézim", que nos convida por completo a mergulhar na periferia através de uma linguagem carregada de gírias que muitos poderão não entender, mas que tem forte ligação com o ambiente em que a história se passa; outros contos que me chamaram bastante atenção foi "Espiral", "A viagem" e a "Travessia". 

"Lembrou dos sonhos que tinha quando era moleque, do que imaginava que seria sua vida, no começo nunca que pensava em fechar na boca. Queria era ser jogador de futebol, piloto de avião, técnico em informática. Agora, enquanto desce a ladeira pra chegar na saída do morro, só consegue pensar que tudo vai ser muito diferente." - Conto: Travessia."


Todos me despertaram sentimentos diversos e me fizeram refletir bastante. E a reflexão a respeito da temática é o objetivo principal. Nenhuma história foi narrada no livro em vão. Há muito por trás dos acontecimentos. 

Pra quem gosta de livros de contos mas, principalmente, de conhecer a realidade daquelas de pessoas que são marginalizadas pela sociedade e até mesmo pela mídia, "O sol na cabeça" é um soco no estômago. Leia, reflita e tenha um olhar diferenciado em relação ao tema. Enfim, leia de mente aberta. 


O livro foi publicado pela Companhia das Letras. A edição possui uma capa bem chamativa e bonita, a fonte tem um tamanho agradável, as folhas são amareladas e resistentes, e a edição possui orelhas. 

"Quanto mais crescemos, maiores se tornam os muros." 


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